Aos cidadãos de hoje, pede-se consciência perante os problemas e capacidade para uma ação pessoal e organizada, que dê resposta ao sofrimento, à exclusão, à pobreza, à solidão. Não nos podemos alhear da realidade, já que “a fé implica testemunho e empenho público”. Este blog é da responsabilidade da Comissão para a Cidadania da Cáritas Portuguesa.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Forum Nacional de Redes da Sociedade Civil
Qual é o papel da Sociedade Civil face aos desafios actuais? Em debate nos dias 20 e 21 de fevereiro no ISCTE-IUL.
Mais informação em: Fórum Nacional de Redes da Sociedade Civil!
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
GIAS - Grupos de Interajuda Social
Desempregados lutam contra a solidão e a depressão nos Grupos
de Interajuda Social (GIAS), promovidos pela Cáritas, onde partilham experiências de vida,
medos e ideias para tentar superar as dificuldades causadas pelo desemprego,
que atinge milhares de portugueses.
“Em Portugal,
o desemprego é o maior flagelo, pela sua dimensão numérica mas também pelos
novos contornos que apresenta e não pode ser combatido somente com os
procedimentos de intervenção tradicionais”, afirmou a psicóloga Isabel
Cordovil, que está a dinamizar o projeto a nível nacional.
Isabel
Cordovil adiantou à Lusa que, em abril de 2011, a Cáritas Portuguesa entendeu
que seria conveniente apoiar as pessoas que estão desempregadas, em risco de
empobrecimento e de ficarem isoladas.
Para
isso, promoveu a criação dos GIAS, em que podem participar entre
oito a 12 pessoas, que reúnem semanalmente ou quinzenalmente durante duas horas
com o apoio de monitores.
“O GIAS não é
um grupo orientado para a procura ativa de emprego, nem orientado para a ajuda
económica direta. É um grupo que apoia o encaminhamento para a resolução de
problemas vividos”, explicou.
Nos
encontros, as pessoas “partilham experiências de vida, perdas e medos,
competências e boas ideias, com o objetivo de tentar superar as dificuldades
associadas à situação de desemprego e de reencontrar um caminho de confiança e
esperança”.
A
experiência piloto decorreu entre março de 2012 e julho de 2013 na junta de
freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, onde decorreram 59 reuniões participadas
por 33 desempregados de várias idades, qualificações e diversas experiências de
desemprego.
Quinze
destes participantes encontraram novas situações de trabalho e “muitos
tornaram-se cidadãos mais ativos e empenhados em voluntariado de proximidade”,
disse Isabel Cordovil.
Atualmente
há grupos a funcionar em Leira, promovido pela Cáritas Diocesana de
Leiria-Fátima, e em Setúbal, dinamizado pela Cáritas local. Na próxima semana,
arrancará um novo grupo no Centro Social Paroquial da Quinta do Conde.
Para
Nelson Costa, técnico da Caritas Diocesana de Leiria e animador do grupo, estes
encontros funcionam como “um antidepressivo para muitas pessoas que estão
fechadas em casa”.
No grupo
de Leiria estão quatro homens e duas mulheres, com idades entre os 30 e os 54
anos, mas a próxima reunião contará com mais duas pessoas. “É o passa palavra”,
comentou Nelson Costa.
O
animador contou que os participantes chegam à reunião um pouco desalentados,
envergonhados e com algum receio, mas “com o passar dos minutos” começam a
conversar, a trocar ideias e a encorajarem-se uns aos outros.
“As
pessoas não vêm com o sentido de que o grupo é um frete. Às vezes [devido ao
tempo] até temos de cortar a palavra porque as pessoas se entusiasmam”,
comentou.
Apesar
de ainda só terem decorrido duas sessões e ser “um grupo díspar a nível de
experiência profissional e de vivências, é um grupo que se uniu e que sabe,
acima de tudo, respeitar muito o espaço e a personalidade de cada um”, frisou
Nelson Costa.
Ana
Carvalho, do Centro Social Paroquial da Cova da Piedade, que está a lançar o
primeiro GIAS no concelho, considerou “fundamental e crucial” este apoio aos
desempregados para não caírem numa situação de isolamento.
“É
importante que se sintam integradas, porque as pessoas ficam fragilizadas numa
situação de desemprego e pensam que estão à margem da sociedade”, adiantou Ana
Carvalho. A
Cáritas Portuguesa sublinhou que tem “colocado muito do seu empenho” nos GIAS devido
ao “desemprego ser hoje o principal motivo de empobrecimento das famílias”, e o
isolamento uma das consequências desta situação.
Em
dezembro de 2013, Portugal tinha 819 mil desempregados, situando-se a taxa
desemprego nos 15,4%, segundo o Eurostat.
HN//GC.
Lusa
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
A mensagem económica e social do Papa Francisco
Numa deslocação a Lampedusa, para rezar e chorar os mortos do drama da emigração, num encontro com desempregados em Cagliari, bem como em várias intervenções públicas, o Papa Francisco foi transmitindo uma mensagem inovadora e corajosa sobre os problemas económicos dos nossos dias.
Na exortação apostólica Evangelli Gaudium, o Papa desenvolveu, mais solidamente, mas sempre com a mesma convicção e fé, a sua concepção da economia e dos problemas dos nossos dias.
As muitas inovações que o Santo Padre trouxe ser...ão, talvez, responsáveis pelo eco da sua mensagem económica e social não ter sido tão intenso como era expectável.
O Patriarca de Lisboa dá-nos a honra de se juntar a nós para debater e reflectir sobre uma mensagem corajosa, que abre caminhos ao Mundo, numa jornada em que serão ouvidas qualificadas e pluralistas vozes.
É para nós uma grande honra e satisfação convidar-vos para uma sessão que muito nos ajudará na jornada através das difíceis escolhas a que somos chamados.
Guilherme D’Oliveira Martins
Eduardo Paz
Consulte o programa aqui: http://www.ideff.pt/xms/ files/Iniciativas/ varios_2014/ Programa_Conf..pdf
Entrada livre mediante inscrição prévia e sujeita à capacidade da sala:
Na exortação apostólica Evangelli Gaudium, o Papa desenvolveu, mais solidamente, mas sempre com a mesma convicção e fé, a sua concepção da economia e dos problemas dos nossos dias.
As muitas inovações que o Santo Padre trouxe ser...ão, talvez, responsáveis pelo eco da sua mensagem económica e social não ter sido tão intenso como era expectável.
O Patriarca de Lisboa dá-nos a honra de se juntar a nós para debater e reflectir sobre uma mensagem corajosa, que abre caminhos ao Mundo, numa jornada em que serão ouvidas qualificadas e pluralistas vozes.
É para nós uma grande honra e satisfação convidar-vos para uma sessão que muito nos ajudará na jornada através das difíceis escolhas a que somos chamados.
Guilherme D’Oliveira Martins
Eduardo Paz
Consulte o programa aqui: http://www.ideff.pt/xms/
Entrada livre mediante inscrição prévia e sujeita à capacidade da sala:
+ 351 217 962 198 / + 351 961 497 070
ideff@fd.ul.pt
ideff@fd.ul.pt
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Ser cidadão é combater a indiferença
Há uma bolsa de generosidade nos portugueses que é imensa.
O que acontece depois é que isto não permanece. Ser cidadão é combater esta
indiferença e é ter muita consciência dos problemas. Não podemos só consciência
das necessidades de vez em quando, se aparece uma notícia no jornal. Cidadania parte
da consciência, do estar acordado para o mundo que nos rodeia e, a partir dai,
crescer esta vontade de não ser indiferente. De às vezes ser provocador e
construir. Se cada um de nós fizesse isto… era bom!
Nós estamos a viver num tempo em
que percebemos que o Estado não pode fazer tudo e ainda bem que não pode fazer
tudo e nem sequer deve fazer tudo.
Uma sociedade civil mais fraca
também nos enfraqueceu – é difícil perceber o que começou primeiro – também
enfraqueceu o ser cidadão.
Eu acredito que uma consciência
maior da importância de cada um de nós, na vida geral, como pessoa e como
cidadão levará a um compromisso maior da própria sociedade civil e, sendo
assim, o mundo funcionaria um bocadinho melhor. Às vezes funcionamos um
bocadinho em dois polos – esquerda e direita; mercado ou estado – há aqui uma
outra dimensão que é a dimensão pessoal de cidadão, de comunidade, de sociedade
civil que é tão importante como as outras.
Comissão para a Cidadania da Cáritas Portuguesa, 6 janeiro 2014
Margarida Neto (transcrição)
Projeto Gerações, 8 janeiro 2014
António Wagner Diniz
Turma do Bem, 13 janeiro
Camila Carnicelli
Cidadania no programa Ecclesia, Antena 1
Cáritas Portuguesa, 6 janeiro 2014
Eugénio Fonseca
Casa Velha, 7 janeiro 2014
Margarida Alvim
Projeto Gerações, 8 janeiro 2014
Wagner Diniz
A Turma do Bem, 8 janeiro 2014
Camila Carniceli
GEP, 9 janeiro 2014
Cristina Carita
Espaço Aberto, 10 janeiro 2014
Júlia Barroso
Turma do Bem, 13 janeiro
Camila Carnicelli
Cidadania no programa Ecclesia, Antena 1
Cáritas Portuguesa, 6 janeiro 2014
Eugénio Fonseca
Casa Velha, 7 janeiro 2014
Margarida Alvim
Projeto Gerações, 8 janeiro 2014
Wagner Diniz
A Turma do Bem, 8 janeiro 2014
Camila Carniceli
GEP, 9 janeiro 2014
Cristina Carita
Espaço Aberto, 10 janeiro 2014
Júlia Barroso
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Uma história de Cidadania Hoje
O TASSE está situado na bairro da Quinta da Fonte da Prata, Freguesia de Alhos Vedros, Concelho da Moita, distrito de Setúbal. O bairro tem cerca de 5000 habitantes, na sua maioria de origem africana. Existe uma elevada taxa de desemprego, bem como de emprego precário. O projecto funciona num centro do mesmo nome, criado de raiz no âmbito do Programa Escolhas - 2º Geração (E2G). O trabalho com o crianças e jovens entre os 7 e os 18 anos tem como objectivo a promoção do sucesso escolar. O trabalho com o grupo de jovens dos 19 aos 24 anos centra-se na inserção na vida activa.
E tu, o que te move?!
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Redescobrir as razões para viver o bem comum
Perante as opções políticas tradicionais de direita e
esquerda, expressas, respetivamente, na dicotomia “mais Mercado” vs. “mais
Estado”, devemos propor, então, “mais Sociedade Civil”. Em tempos de crise de
confiança nos atores tradicionais da esfera pública (políticos, banqueiros,
grupos corporativos…) só esta é capaz de instituir uma ação política que
estabeleça referências susceptíveis de dar sentido e emprestar uma visão
coerente e de futuro ao destino coletivo.
Construir
uma solidariedade de razões
Só um movimento de cidadania, a acontecer a partir das
iniciativas dos grupos e associações de bairro, das comunidades de vizinhança,
das ONG, IPSS, Igrejas, etc. é capaz de transformar atavismo e inércia em
participação qualificada. Precisamos de reinventar as razões de vida em comum,
redescobrir o que nos une, reinventar novas formas e modelos de convivência, de
escuta, de diálogo sereno, de acção comum eficaz… Carecemos de práticas de
cidadania alicerçadas em laços humanos diferenciadores: ainda que não sejam
sólidos e definitivos, mas que sejam, contudo, conscientes e significativos.
Dito de outra forma, necessitamos ligar ‘pessoas’ e ‘lugares’, dinamizando
zonas de interação comuns, produzir lugares/tempos de encontro, visando a
construção de uma solidariedade de
razões que leve à criação de respostas criativas e inéditas de vida em
comum, através dos valores da proximidade, da hospitalidade, de cidadania e de
comunidade fomentadoras da coesão social.
Como se constata abundantemente, os sinais e os gestos de
dádiva têm-se multiplicado visivelmente pelas mais variadas esferas e lugares
da vida (inter)pessoal e social: nos atos de generosidade de hospitalidade
entre famílias ou entre amigos, na doação de sangue a desconhecidos ou no
acolhimento a estrangeiros, no apoio a grupos de entreajuda ou através de
projetos de voluntariado. Podendo ser a dádiva caracterizada como qualquer prestação
de bens ou serviços efetuada sem garantia de retorno, tendo em vista a criação,
manutenção ou regeneração do vínculo social (Cf. A. Caillé, Antropologia da dádiva), está revestida
de um paradoxo ético: constituindo um verdadeiro bem, o seu valor não é
primeiramente económico mas antes social e moral, porque o valor não se centra
no objeto trocado, mas na troca desinteressada e gratuita - assimétrica,
portanto - que ela instaura. No momento do gesto, a dádiva implanta no coração
do doador uma expectativa, esperança ou até exigência de resposta (não
utilitarista), de um reconhecimento do ato simbólico encetado e, nessa medida,
abre a relação ao imprevisto, ao excesso, à desmesura do receber hospitaleiro.
Ao contrário de uma relação económica em que cada troca é completa, cada
relação é pontual e cada dívida deve ser definitivamente liquidada, na relação
de dádiva estabelece-se uma “dívida mútua positiva”, na expressão de J. Godbout
(O Espírito da Dádiva).
Trata-se, de facto, de uma dívida que é permanente e
recíproca, que não tem um sentido económico nem tampouco diz simplesmente
respeito “às coisas” que circulam na relação, mas que atua, no interior dessa
mesma relação, sobre o laço que se estabelece entre as pessoas. O valor de
vínculo ou valor de laço constituem-se, desta forma, em alternativas válidas
para pensar a construção da sociabilidade enquanto atribuem, antes de mais, um
valor simbólico às coisas que circulam sob a forma de dádiva: um objeto, um
serviço, um gesto de hospitalidade têm valor na medida em que exprimem,
alimentam e reforçam os laços sociais.
para ler a comunicação na intergra
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